"As previsões de Bruxelas têm em conta de uma maneira mais adequada o que se passa nos diferentes países da UE, já que hoje a situação em cada país está fortemente condicionada com o que se passa nos outros. As previsões de Bruxelas, à partida, parece que têm mais força, mas também essas previsões não são indiferentes às políticas, dependem muito das políticas que cada governo conduza para combater a crise", disse hoje à Lusa João Proença.
O secretário-geral da central sindical reforçou que em causa estão previsões, cenários "que dependem muito das políticas seguidas pelo Governo português. Esperemos que o Governo conduza políticas adequadas para atingir as metas a que se propôs".
A Comissão Europeia prevê para 2009 uma contracção da economia portuguesa de 1,6 por cento, o dobro do estimado por Lisboa (0,8 por cento), e um défice orçamental de 4,6 por cento também superior em 0,7 pontos às estimativas do Governo (- 3,9 por cento).
"Parece-me que os números da Comissão Europeia estão mais perto da realidade. Dificilmente Portugal terá uma recessão de apenas 0,8 por cento. O Governo continua a querer adiar números que se vão tornar realidade", disse à agência Lusa Bagão Félix, considerando a previsão do Governo "optimista".
O ex-ministro das Finanças lembrou que Portugal vai sofrer o impacto da recessão das economias alemã e espanhola (de 4 por cento e 2 por cento, respectivamente) e que só a Espanha, a Alemanha e a França representam 51 por cento das exportações portuguesas.
Quanto ao défice orçamental, Bagão Félix admitiu que "provavelmente ultrapassará os 4 por cento", mas sublinhou a necessidade de considerar o efeito da recessão nas próprias receitas fiscais.
"A previsão do Orçamento de Estado que foi aprovado já sobrestimava logo à partida as receitas ficais, prevendo um aumento de 4,5 por cento nos impostos indirectos totais, ao mesmo tempo que o Orçamento espanhol previa uma diminuição de 5,9 por cento", disse.
Por isso, para Bagão Félix, o Governo precisa de fazer duas correcções: "corrigir o disparate das previsões, o claro desajustamento do orçamento aprovado, e apurar quais as consequências da diminuição da actividade económica, ou seja, o efeito da recessão nas próprias receitas fiscais".
FONTE: JN
